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Revista de Liturgia

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Cantando a uma só voz

Edição número 251

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O ícone mais representativo da participação litúrgica requerida pela reforma do Concilio Vaticano II é uma assembleia “cantando a uma só voz”. É quando a fé de uma comunidade reunida se expressa em “sinais” como o canto e a música, alguns dos mais “sensíveis” de nossa cultura, especialmente quando enriquecidos com nossos ritmos e com nosso gingado. Afinal, a música não é um assessório na liturgia, mas é parte integrante do rito. Com seu significado, visa suscitar na assembleia uma atitude de fé que brota do coração, seja no simples canto ‘a capella’, seja quando produzida ou acompanhada pelo som dos instrumentos, incluindo os de percussão.

 

A assembleia, por séculos calada, sem poder falar ou cantar, regenera-se ao ser readmitida na condição de sujeito celebrante, povo de batizados, podendo escutar e responder, cantar em coro, salmodiar, responder cantando. Quem, dos mais velhos, não se recorda da alegria que vivemos logo depois do Concílio, até mesmo nos longínquos recantos do Brasil, quando o missionário chegava com uma pequena ficha contendo salmos em versão de Gelineau e os ensaiava com os jovens, com as crianças? Era a primeira vez que cantávamos a liturgia em nossa língua!

 

Hoje, a Igreja do Brasil está entre as que mais investiram na música litúrgica inculturada. Temos um repertório variado, consistente e acessível, contamos com departamento específico dentro da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia e possuímos bons subsídios e espaços de formação. Apesar disso, há comunidades e grupos que teimam, sem quaisquer critérios, em utilizar cantos que nada têm a ver com o mistério celebrado. E, não raro, executados de qualquer jeito, sem o menor respeito pela assembleia em oração.

 

Contudo, nos anima o fato de que muitas comunidades estão conscientemente empenhadas em garantir que a música esteja em perfeita sintonia com o mistério celebrado, seja na letra, seja na melodia, seja na forma de execução. Em muitos lugares podemos testemunhar a oração da Igreja, em forma de canto, brotando do coração da assembleia. Por isso, vale qualquer esforço para não deixar perder o que foi conquistado e para seguir adiante.

 

O que está em jogo não é simplesmente a estética pela estética, mas a beleza como expressão da fé e como fonte de alegria e de encorajamento. Uma alegria em um encorajamento que nos preparam para assumir, de modo sempre mais profundo, um estilo de vida condizente com a fé celebrada, no cuidado com todos os seres que habitam a nossa casa comum, incluindo o cuidado com a própria terra.