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Revista de Liturgia

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Liturgia no ano da Misericórdia

Edição número 253

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A Quaresma, “sinal sacramental da nossa conversão”, será vivida neste Ano Jubilar como tempo de “experimentar”, com mais intensidade, “a misericórdia de Deus”. De fato, as atitudes que se pede aos catecúmenos e fiéis neste tempo indicam que a conversão não resulta da ascese pessoal, mas é o efeito do próprio agir de Deus que, pelo seu Espírito, realiza em nós a verdadeira mudança do coração. A “penitência”, em suas mais diferentes expressões, é resposta amorosa, agradecida, consequente ao amor incondicional de Deus que, em Jesus, nos regenerou para uma vida nova.

Sob esse olhar, a Quaresma se propõe, mais do que nunca, como caminho  em direção à noite luminosa da Páscoa, tempo de iluminação para os catecúmenos que, pelo batismo, confirmação e eucaristia, vão professar a fé e fazer o seu mergulho na páscoa do Cristo. Para os fiéis, é nova oportunidade de renovar o batismo, de “crescer no conhecimento de Jesus”, sobretudo por uma escuta mais atenta da sua Palavra.

A convocação do papa ao Ano Santo ajudará a Igreja a exercer o “ministério da reconciliação” que lhe foi confiado, função que ele convida a desempenhar em atitude de penitente, banhada pela misericórdia e imbuída da consciência de ser servidora [não detentora] do perdão. Espera-se que  a criatividade pastoral garanta que a Misericórdia não fique reduzida a  tema de reflexão e de pregação, nem limite o MISTÉRIO DO PERDÃO ao Sacramento da  Penitência. Mas que, pedagogicamente, se reapresente outras expressões queridas do povo, como as procissões, as romarias, as celebrações  penitenciais e o Ofício Divino, o qual, na versão do Ofício das Comunidades, integra a piedade popular e o nosso jeito de ser Igreja no Brasil, com profunda fidelidade à tradição de oração que é parte da vida da Igreja desde os seus primórdios.

Mas além das ações litúrgicas, o papa Francisco aponta, como expressão do Ano Santo, também as peregrinações e, especialmente, as Obras de Misericórdia, o que justifica como uma necessidade de “acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza”. Tais obras são expressão do culto espiritual vivido no cotidiano, fruto da participação no mistério celebrado. No atual momento da humanidade e do nosso país, com tantos gritos da terra e de seus habitantes, a Igreja que crê na misericórdia há de encontrar modos de praticar a tolerância, de se engajar em ações  solidárias, de participar de caminhadas em busca da paz, de romarias e de lutas pelo cuidado da criação.