Edições Anteriores
  • Edição 262

  • Edição 261

  • Edição 260

  • Edição 259

  • Edição 258

  • Edição 257

  • Edição 256

  • Edição 255

  • Edição 254

  • Edição 253

  • Edição 252

  • Edição 251

Revista de Liturgia

Voltar

Liturgia Tríduo Pascal

Edição número 254

Comprar

A Páscoa, que em sua origem era uma festa de primavera, a qual marcava o renascer da natureza depois do rigoroso inverno, é celebrada, a cada ano, pelas comunidades judaicas como memória da libertação do povo da escravidão do Egito. “Estação da nossa liberdade”, dizem eles, para traduzir o profundo sentido espiritual deste memorial. Ressignificada pelas comunidades cristãs à luz do Cristo, o crucificado-ressuscitado, a festa da Páscoa é a mais alta expressão da nossa fé, “Páscoa nupcial da Igreja!”, “noite pascal por um ano inteiro esperada!”, exclamavam os antigos. Para judeus e cristãos, a memória da páscoa traz em si tanto uma força subversiva contra os poderes do mundo como o segredo da “Saída” para a terra da liberdade. A páscoa é arquétipo de todo ser humano e do universo em transformação.

Eis porque, em meio a todas as tragédias que afligem o mundo, a páscoa é celebrada no coração da noite, com antigos ritos cheios de beleza poética, qual profecia de outro mundo possível. As luzes que se acendem na escuridão são imagem do Ressuscitado, que rompe as trevas da morte, e sinal da nova humanidade, que compartilha do seu destino vitorioso.

A Igreja da América Latina e Caribe, impulsionada pelo Concílio Vaticano II, assumiu com determinação, a partir de 1968, na Conferência do Celam, em Medellin, ser uma Igreja com o rosto dos pobres, fiel ao Pacto das Catacumbas, uma Igreja pascal identificada com o processo de “passagem” próprio do continente: a transição de condições desumanas para condições mais humanas. Apesar  das dificuldades e dos movimentos contrários, a Igreja continua firme em sua opção, não só na América Latina, mas em todo o mundo. Assim, no atual momento, diante de tantas urgências, ela é convocada de modo surpreendente pelo bispo de Roma e animada pelo seu incansável testemunho. No Brasil, um sinal dessa prontidão é a Campanha da Fraternidade deste ano - “Casa comum, nossa responsabilidade”-, assumida por diferentes confissões cristãs, as quais se mostram empenhadas em somar forças para garantir políticas públicas que assegurem água potável e saneamento básico para todas as pessoas.

Celebremos, pois, a Páscoa fazendo nossas as palavras do Pseudo Hipólito de Roma: “Em todos nós que cremos nele, começa um dia de luz, longo, eterno, que não se apaga. É a Páscoa do coração! [...] Maravilha da virtude de Deus, obra da força de Deus, festa verdadeira e acontecimento inesquecível! Um não sofrer que vem do sofrimento, uma vida que sai do túmulo, uma cura que vem do ferimento, um levantar-se que nasce da queda e uma subida que vem da descida aos infernos. (...) Ó festa espiritual! Ó Páscoa de Deus que desce dos céus até a terra e que volta a subir da terra aos céus. Ó solenidade nova e universal, assembleia de toda criação! Alegria e honra do universo, seu alimento e suas delícias! Graças a ti, as trevas da morte  foram destruídas e a vida se estendeu a todas as coisas”.