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Revista de Liturgia

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Liturgia, assembleia do povo de Deus

Edição número 259

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Iniciamos o novo ano, 2017, em meio a muitos acontecimentos, no Brasil e no mundo, que abalam ainda mais os que já estão em situação de extrema vulnerabilidade. Parece que não faz sentido pensar em dias melhores quando os grandes poderes globais conspiram declaradamente contra trabalhadores, desempregados e excluídos. No entanto, as vozes que ousam erguer o seu grito persistem em crer no impossível, pois sabem que nenhum império terá para sempre a última palavra.

Quem faz desse grito expressão de fé e caminho de espiritualidade encontra, na manifestação de Deus em Jesus, nascido em Belém feito pobre, a fonte de inspiração capaz de reativar as razões da nossa esperança e de nos animar.Tal é a origem dos sinais que nos convocam a engajar o melhor de nossas forças a serviço do Reino.

 Em primeiro lugar, este será um ano de grande mobilização das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) rumo ao 14 Intereclesial, em Londrina (Paraná), que acontecerá no mês de janeiro de 2018. Um tempo de retomar e intensificar a experiência de ser Igreja, povo de Deus, comunidade de fé inserida no mundo. Por feliz coincidência, 2018 marca, também, os 50 anos da Conferência Episcopal de América Latina e Caribe, ocorrida em Medellín, que buscou colocar em prática o Concilio Vaticano II em nosso continente e o fez com a histórica opção pelos pobres, cuja melhor expressão são as Comunidades de Base. Naqueles tempos difíceis, de grande opressão e repressão, a Igreja foi um sinal profético do Evangelho. Que a ousadia e a lucidez do Espírito da Igreja de Medellín inspirem o povo diante da atual conjuntura do nosso país.

Outro acontecimento significativo em 2017 é a celebração dos 500 anos da Reforma Protestante, que já teve início em outubro passado com uma visita histórica do Papa Francisco a Lund, na Suécia, comemorando também os 50 anos de diálogo entre Igreja católica e Igreja luterana. Francisco foi à Suécia não para relembrar um acontecimento que trouxe tanto sofrimento ao corpo de Cristo, mas para propor um futuro de alegria e união naquilo que é compartilhável. Ele insiste no ecumenismo que tem como base comum o sangue, a oração, o encontro e o trabalho a favor dos pobres e dos refugiados. Propõe, como método, transcender a si mesmo para ir ao encontro, antes de investir nas questões teológicas, bem mais difíceis de serem resolvidas.

Por fim, 2017 é o Ano Nacional Mariano, em comemoração dos 300 anos do encontro da imagem da Conceição Aparecida nas águas do rio Paraíba do Sul. Uma grande ação de graças pela misericórdia de Deus, manifestando sua preferência pelos pequenos e pobres na Mãe Negra Aparecida, tão querida das comunidades católicas em todo o país. Sem negar os valores da piedade popular, “variada em suas expressões e profunda em suas motivações” (DPPL, n. 183), este ano será uma oportunidade de aprofundar o papel de Maria, discípula e mãe de Jesus, ouvinte e guardiã da Palavra,como ícone da Igreja e inspiração para todos os que creem em seu Filho.