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Revista de Liturgia

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Esperança de um novo pentecostes

Edição número 261

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Diante da grave crise que assolava a sociedade, João XXIII, na Constituição Apostólica Humanae Salutis, de convocação ao Concílio Vaticano II, comparou esse grande evento da Igreja a um novo Pentecostes. No documento, o pontífice conclamava as comunidades cristãs, em fidelidade à sua vocação, a dar efetiva e eficaz contribuição no embate para superar os grandes problemas do mundo.
De fato, nos anos que se sucederam à assembleia conciliar, a Igreja viveu um verdadeiro Pentecostes. Assim, ganhou uma renovada compreensão de si como povo de Deus, enriqueceu-se com novos ministérios de homens e mulheres, estabeleceu o diálogo com outras confissões cristãs e com outras religiões, enfim, colocou-se, de modo mais efetivo, a serviço do reino de Deus no mundo.
Em nosso continente latino-americano, sobretudo a partir da Conferência Episcopal de Medellín, esse serviço se revestiu de concreto engajamento das comunidades, que, em nome da fé, lutaram contra as ditaduras, a favor dos pobres e marginalizados, das classes operárias, dos trabalhadores rurais, das comunidades negras e indígenas, das pessoas em situação de risco. No Brasil, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) participaram ativamente de mobilizações nacionais que foram decisivas para o país na conquista dos direitos humanos e da cidadania.
Hoje, as CEBs estão sensivelmente enfraquecidas, de um lado, por falta de apoio institucional que possibilite formação de novas lideranças sobre fé e política e, de outro, por influência de movimentos espiritualistas claramente desprovidos de consciência política e social, os quais, sorrateiramente, vão impondo um jeito de viver a fé alheio à possibilidade de uma militância politizada .
Contudo, a Comunidade de Base, qual teimosa flor de mandacaru, está viva e prossegue em seu caminho. Prova disso é a movimentação que ocorre em todo o Brasil rumo ao 14º Interclesial, a se realizar em Londrina, no Paraná, em janeiro de 2018. Oxalá a atual e tão grave situação política do nosso país, com suas consequências sociais já anunciadas, desperte a profecia das Igrejas e as mobilize para garantir mecanismos de revitalização, tanto das mesmas Comunidades Eclesiais como das Pastorais voltadas aos mais necessitados, em vista da presença ativa da Igreja no cenário social.
Que a memória do Pentecostes de Jerusalém, que transformou frágeis discípulos e discípulas em testemunhas da ressurreição e que inspirou a atuação da Igreja no século XX, reacenda em nossas comunidades a fé destemida de Jesus. O mesmo Espírito que se derrama em cada celebração é o que move o agir da Igreja em defesa da vida.