Revista de Liturgia Edição 256 – A memória da Mãe do Senhor no ano Litúrgico

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Revista de Liturgia Edição 256
Janeiro e Fevereiro de 2016
36 páginas

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Os que creem em Jesus participam profundamente de sua vida e do seu destino e expressam essa participação no testemunho cotidiano da fé e na sua celebração litúrgica. Por isso, ao fazer memória do Mistério pascal do Crucificado-ressuscitado, desde cedo as comunidades ligaram a essa memória a recordação das suas testemunhas: primeiro os mártires e Maria e, mais tarde, outras testemunhas da fé.

Nos primeiros séculos, não se fala em festas marianas, a sua memória, no entanto, está inserida na celebração do mistério de Cristo, expressa tanto na pregação da Igreja, como na sua oração e na piedade dos fiéis. As festas propriamente ditas vão ganhar impulso a partir do Concílio de Éfeso, em 431, com a solene proclamação da Maternidade divina de Maria, sempre situando o mistério da Mãe de Deus no memorial da páscoa do Cristo, tendo como contexto a história da salvação.

A partir do século XI, em nossa tradição latina, as festas marianas se multiplicaram tendo como ponto de partida as experiências locais, com base em revelações particulares, numa perspectiva subjetiva e devocional, exaltando as virtudes de Maria, independentemente de Cristo. Cresceu progressivamente o descompasso entre os dados bíblicos e da tradição primitiva e a interpretação ocorrente no meio dos fiéis, nos sermões, nos cantos, nas ladainhas e em outas expressões da piedade mariana.

O culto mariano assumiu grandes proporções, incompatíveis com a sóbria imagem de Maria no Novo Testamento. Esse crescimento de sua devoção coincide com a decadência da liturgia em geral e do ano litúrgico em particular: inacessíveis ao povo [latim], destituídos de teologia, desviados do eixo fundamental da páscoa.

Com o Concílio Vaticano II [1962-1965], a liturgia recobra a sua natureza teológica de memorial da Páscoa do Cristo no coração da história, como era nos primeiros tempos da Igreja. Com essa luz, toda a liturgia foi restaurada, também o Ano Litúrgico e o Calendário, que foi estabelecido tendo como eixo estruturante a memória da Páscoa de Cristo. Neste ciclo único da celebração do Mistério do Senhor, Maria é inserida como protótipo de escuta e obediência à Palavra, primeiro e mais precioso fruto da redenção, imagem da Igreja. Dessa forma, torna-se fonte de inspiração no seguimento de Jesus e na prática do seu Evangelho.