O sábado santo é o Segundo dia do Tríduo pascal. Na sexta feira, é a memória da paixão e morte do Senhor, no sábado, a memória da sepultura, ou seja, sua descida à mansão dos mortos e, no terceiro dia, começando na vigília pascal, a memória da ressurreição do Senhor. Portanto, o sábado santo é dia que liga a comemoração da Cruz, ao dia da Ressurreição. É o dia em que a vitória germina de dentro da derrota da morte. Com este ofício da manhã nos é dada a possibilidade de contemplar a morte da própria morte.

  1. CHEGADA – Silêncio, oração pessoal…
  2. ABERTURA – Sentados ou de joelhos
    Deus Santo, Deus santo e forte, Deus santo e imortal.
    Piedade de nós.
    Tu que assumiste nossa carne
    Piedade de nós.
    Lembra-te de nós em teu reino.
    Piedade de nós.
    Deus Santo, Deus santo e forte, Deus santo e imortal.
    Piedade de nós.
  3. RECORDAÇÃO DA SEPULTURA
    Olhavam à distância algumas mulheres, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Joset, e Salomé, as quais, quando estavam na Galileia, o tinham servido; e muitas outras que haviam subido com ele a Jerusalém. Maria Madalena e Maria de José observavam onde o colocava.
  4. SALMO 16(15)
    Conforme a promessa deste salmo 16, que vamos cantar, o Messias não foi abandonado no túmulo, e seu corpo não chegou à corrupção (Atos 2,31).
  5. Protege-me, ó Deus, tu és meu abrigo.
    “Só tu és meu bem”, eu digo ao Senhor.
    Rejeito esses deuses que o mundo promove;
    aos grandes não sirvo, nem presto favor.
  6. Aqui, nesta terra, és, Deus, minha herança,
    em ti meu destino, porção garantida:
    tiraram a sorte pra ver minha parte,
    tu és a mais bela herança da vida.
  7. Bendito o Senhor que é meu conselheiro,
    à noite me alerta o meu coração.
    Pra sempre o Senhor perante os meus olhos,
    com ele meus passos não vacilarão.
  8. O meu coração se alegra contente,
    até minha carne repousa segura.
    No mundo dos mortos tu não me abandonas,
    nem deixas teu servo preso à sepultura.
  9. Tu me ensinarás da vida o caminho,
    em tua presença há muita alegria.
    O Deus do universo, qual Mãe se mostrou,
    cantemos louvores de noite e de dia.
    Silêncio, repetição
    Oração:
    Senhor nosso refúgio, velaste enquanto Jesus dormia no chão da terra e não deixaste o seu corpo conhecer a destruição. Livra-nos do medo da violência e da morte, tu que és nossa herança, nossa esperança e alegria. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
  10. LEITURA BÍBLICA – Oséias 5,15- 6,2:
    Leitura do profeta Oséias.
    Eis o que diz o Senhor: em suas aflições me procurarão.
    Vinde, voltemos para o Senhor, ele nos feriu e há de tratar-nos, ele nos machucou e há de curar-nos.
    Em dois dias, nos dará vida, e, ao terceiro dia, há de restaurar-nos e viveremos em sua presença.
    Palavra do Senhor.
  11. RESPONSO-MEDITAÇÃO
    Creio que meu redentor vive
    e que ressuscitarei no último dia.
    Em minha própria carne verei a Deus,
    meu salvador.
  12. Eu mesmo verei e não outro e o contemplarei com meus olhos.
  13. Tenho esta esperança, no meu coração.
  14. Escuta, Senhor, minha prece, e atende a voz do meu clamor.
  15. LEITURA PATRÍSTICA
    Leitura de uma antiga Homilia no grande Sábado Santo (século IV)
    Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.
    Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.
    O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará.
    Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’
    Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.
    Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.
    Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

    Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso. Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.
    Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.
    Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade”.
  16. MEDITAÇÃO
    Em silêncio abandona-te ao Senhor. (bis)
  • Põe tua esperança no Senhor, espera nele, e ele agirá.
  1. PAI NOSSO
  • Com amor e confiança, digamos juntos, pausadamente, a oração que o Senhor nos ensinou:
    Pai nosso… pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.
    Oração
    Deus de bondade teu Filho unigênito desceu à mansão dos mortos e de lá ressurgiu vitorioso. Concede aos teus fiéis, sepultados com ele no batismo, que, pela força de sua ressurreição, participem com ele da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!

Penha Carpanedo, Discípula do Divino Mestre,

www.revistadeliturgia.com.br

desenho: Kelly de Oliveira

Edição podcast: Neideane Monteiro

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