SÁBADO SANTO

O Segundo dia do sagrado Tríduo pascal é o mesmo vivido. É o Sábado Santo onde o Senhor Jesus “repousa” no Sepulcro.
A Sua Alma não deixou de vigiar e de continuar operante. Ela desce até onde a esperam todos aqueles que acreditaram em Deus e viveram na esperança da vinda do Redentor. Para todas as gerações da história humana, a Sua Morte é causa de salvação.

Mas repousam os Seus membros mortais e sofredores, como repousa a semente no seio da terra, na expectativa da vinda definitiva e gloriosa que, esta noite, irá surgir.

Pondo de parte toda a atividade (este é o único dia em que não há a assembleia eucarística), a Igreja está de vigia junto do sepulcro do Senhor.

Participando embora do mistério do Seu sofrimento e da Sua morte, ela vive na esperança. Sabe, com efeito, que Jesus, tão fiel ao Pai até à morte, não pode ficar “abandonado à corrupção”. A Sua Morte será o penhor da nova Criação, que se aproxima.

Sabe também que o “repouso” de Jesus é a imagem do “repouso” de todos aqueles que foram batizados na Sua Morte e Ressurreição. Depois que Ele morreu e foi sepultado, santificando a morte, ela já não será uma realidade terrível, mas sim “um intervalo, espiritualmente vivo, para o início de uma vida superior”.

 

“Quanto mais falamos, mais tolo fica. É aqui que entra o silêncio. Ouvimos a profundidade de nosso próprio ser, e deste ouvir vem um rico silêncio, o silêncio de Deus, que diz apenas ‘Deus’ ou ‘Eu sou’.”

Thomas Merton

 

 

VIGÍLIA PASCAL

A Vigília pascal na noite do sábado é início e ponto alto do domingo da Ressurreição:terceiro dia do Tríduo, ápice de todo o ano litúrgico. Contemplemos no exercício pleno da nossa esperança, a grande Vigília da Páscoa, a maior de todas as vigílias da Igreja, festa que (segundo são Basílio) “nos sustenta no meio das aflições deste mundo:

 

“Ó noite, mais clara do que o dia!

Ó noite, mais luminosa que o sol!

Ó noite, mais branca que a neve,

mais brilhante que os nossos luzeiros,

mais doce que o paraíso!

Ó noite que não conheces trevas,

espantas todo o sono

e nos levas a velar com os anjos.

Ó noite, temor dos demônios,

ó noite pascal, por todo um ano esperada.

Noite nupcial da Igreja,

que fazes nascer os novos batizados

e despojas o demônio adormecido.

Noite em que o herdeiro introduz

os herdeiros na herança!”

Astério, o Sofista)Astério, o Sofista. Homilia sobre os salmos, in: Antologia Litúrgica.

Fátima (Portugal) 2003,p. 359 [n. 1.311].

 

“Em todos nós que cremos nele, começa um dia de luz, longo, eterno, que não se apaga. É a Páscoa do coração! (…) Maravilha da virtude de Deus, obra da força de Deus, festa verdadeira e acontecimento inesquecível! Um não sofrer que vem do sofrimento, uma vida que sai do túmulo, uma cura que vem do ferimento, um levantar-se que nasce da queda e uma subida que vem da descida aos infernos. (…) Ó festa espiritual! Ó Páscoa de Deus que desce dos céus até à terra e que volta a subir da terra aos céus. Ó solenidade nova e universal, assembleia de toda criação! Alegria e honra do universo, seu alimento e suas delícias! Graças a ti, as trevas da morte foram destruídas e a vida se estendeu a todas as coisas”.

Pseudo Hipólito. Pseudo-Hipólito de Roma. In Sanctum Pascha 1, 1-2: Studia patristica mediolanensia 15, 230-232 (PG 59, 755).

 

Tudo quanto o Filho de Deus fez e ensinou para a reconciliação do mundo, podemos saber não apenas pela história do passado, mas experimentando-a na eficácia do que ele realiza no presente. (…) É nisso que consiste celebrar dignamente a Páscoa do Senhor com os ázimos da sinceridade e da verdade: tendo rejeitado o fermento da antiga malícia, a nova criatura se inebria e se alimenta do próprio Senhor. A nossa participação no corpo e no sangue de Cristo age de tal modo que nos transformamos naquele que recebemos. Mortos, sepultados e ressuscitados nele, que o tenhamos sempre em nós tanto no espírito quanto no corpo.

Leão Magno. Sermão 12. Liturgia das Horas, volume II. São paulo: Paulus, 2000, p. 594.

 

RENOVAÇÃO DAS PROMESSAS BATISMAIS:

Quem é batizando na noite da páscoa faz a profissão de fé, para externar a conversão, como dom de Deus faz um compromisso que inclui renúncias do passado e uma profissão de fé (que compreende esperanças de futuro) (veja o que o Ritual de Iniciação Cristã – n. 211 – fala sobre este rito).

Imersos em nossas ocupações cotidianas, facilmente nos esquecemos de quem nos tornamos pelo ‘mergulho’ (=batismo) no mistério pascal. Por isso a cada ano, na vigília pascal, este compromisso é renovado. Vale a pena aprofundar o sentido deste Rito, na proximidade da ‘noite por todo o ano esperada’. Vale lemra que as promessas do batismo são renovadas no contexto da celebração eucarística, momento culminante da vigília e do tríduo, na qual, segundo s. Cipriano, se dá a adesão batismal definitiva.

 

  1. O RITO

Quem preside faz o convite:

Pelo mistério pascal fomos no batismo sepultados com Cristo para vivermos com ela uma vida nova. Por isso, terminados os exercícios da quaresma, renovemos as promessas do nosso batismo, pelas quais já renunciamos a Satanás e suas obras, e prometemos servir a Deus na Santa Igreja Católica.  Silêncio.

Para viver a liberdade dos filhos e filhas de Deus, renunciais ao pecado?

Renuncio.

Para viver como irmãos e irmãs, renunciais a tudo o que vos possa desunir, para que o pecado não domine sobre vós?

Renuncio.

Para seguir a Jesus Cristo, renunciais ao demônio, autor e princípio do pecado?

Renuncio

Credesem Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra?

Creio.

Credesem Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que nasceu da virgem Maria, padeceu e sepultado, ressuscitou dos mortos e subiu aos ceús?

Creio.

C: Credes no Espírito Santo, na santa Igreja universal, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, na vida eterna?

Creio.

Quem preside conclui:

Ó Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos fez renascer pela água e pelo Espírito Santo e nos concedeu o perdão de todo pecado, guarde-nos em sua graça para a vida eterna, noCristo, nosso Senhor. Amém.

Aspersão…

Banhados em Cristo, somos uma nova criatura

As coisas antigas já se passaram, somos nascidos/as de novo

  1. O SENTIDO DO RITO:

– Já na introdução aparece o sentido deste rito ao lembrar que ‘terminados os exercícios da quaresma, renovemos as promessas do nosso batismo’. Toda a quaresma com seu caráter penitencial e batismal foi uma preparação para este ato que expressa a nossa parte no pacto da aliança que Deus fez conosco em Jesus. Será eficaz na medida em que a comunidade cristã toma consciência, com fé iluminada e vivida, do próprio batismo.

As promessas do batismo tem duas partes: ‘renúncia ao mal’ e ‘profissão de fé em Jesus Cristo’. São promessas da fé em Jesus Cristo, a fé da Igreja.

Quem crê em Jesus luta contra o mal.Reconhece que o mistério do mal está no mundo e no coração humano.

  1. a) O que e porque renunciamos?

Renunciamos ao demônio, ao maligno que planta o joio onde Deus plantou a boa semente (Mt 3,39). O demônio princípio do mal e inimigo de Deus (2Ts 2,4), o acusador dos irmãos junto de Deus (Ap 12,10), o que divide.

Na própria fórmula da renúncia podemos identificar:

– O demônio está na raiz de toda divisão. O que causa desunião entre as pessoas.

– O mal coincide com os sentimentos e os valores contrários ao desejo de Deus

Também podemos identificar os motivos pelos quais renunciamos ao mal:

– Para viver a liberdade de filhos/as e poder optar livremente pelo bem ainda, mesmo que isto nos custe a vida.

– Para servir a Deus na Igreja

– viver como irmãos e irmãs

– Para que o mal não domine sobre nós.

– para seguir Jesus

  1. b) O que cremos:

– O que significa crer no Pai, todo-poderoso, criador do céu e da terra?

– No Cristo, Filho de Deus. (Nós batizados, o que somos?). no Cristo que padeceu (porque e para que?); que ressuscitou, subiu aos céus (ele está vivo, o que significa isso para nós?)

– O que significa crer no Espírito Santo? (O que ele faz em nós e no mundo que a gente vive?). O que significa crer na remissão dos pecados; na ressurreição dos mortos e na vida eterna?

 

Gestos que podem acompanhar a renovação das promessas do batismo:Levantar a mão, ou pousá-la sobre o peito, ou estendê-la em direção ao círio.

 

 

Revista de Liturgia Edição 272 – 50 anos de Medellín: A liturgia de uma Igreja pobre, a serviço dos pobres.

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